PAPO ABERTO

O que vem pela frente?

O dono de uma micro ou pequena empresa não teve vida fácil em 2015. Para 2016 a expectativa é um pouco melhor, com a economia ensaiando uma relativa retomada, mas nada que anime muito. 
 
O Produto Interno Bruto (PIB) deve encolher cerca de 3,5% em 2015 (a porcentagem só será conhecida mais adiante) e, em 2016, prevê-se uma queda menor, em torno de 2% no indicador, segundo o Boletim Focus, do Banco Central. A inflação, que vem tendo seguidas elevações, deve recuar, porém o alívio não será grande.
 
Esse panorama se traduz em menos investimentos, redução de empregos, poder de compra das famílias corroído e resultados piores em negócios de todos os setores. 
 
As micro e pequenas empresas, que já sofrem há meses com tombos seguidos no faturamento e dependem muito do mercado consumidor interno, infelizmente, terão de, outra vez, se desdobrar. Para elas, quanto mais rápido a inflação recuar, melhor, pois ajuda na recuperação do poder aquisitivo da população. Podem contribuir os chamados preços administrados (energia elétrica e combustíveis, por exemplo), que em 2015 pressionaram muito a inflação, mas em 2016 tendem a ter reajustes menores. Com menos aperto no bolso, as famílias poderão aumentar suas compras, beneficiando os pequenos negócios.   
 
O dólar também terá sua parcela de influência. Como a cotação subiu bastante em 2015, a manutenção da moeda americana em níveis elevados favorece empresas que concorrem com mercadorias importadas, que chegam por aqui com preços mais altos em reais. 
 
Ao mesmo tempo, quem vende para o exterior pode se beneficiar do câmbio pois seus produtos ficam mais baratos em dólares. Como as micro e pequenas empresas brasileiras têm pouca participação nesse mercado, a possibilidade de ganho delas vem do fornecimento de insumos, componentes e peças para as grandes que dominam as vendas para fora.  
 
Diante desse quadro, o dono de um micro ou pequeno negócio deve reforçar a aplicação dos princípios básicos do empreendedorismo: planejamento, boa gestão, atenção total às finanças (equilíbrio nas contas, corte de desperdícios e enxugamento de custos), atendimento impecável e uso de estratégias de marketing. 
 
O momento é de superação e só quem estiver preparado será capaz de suportar as dificuldades. Conte com o Sebrae-SP para direcionar seu trabalho e vencer esse momento de turbulência.
 
Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

por: Bruno Caetano
14/01/2016

Bruno Caetano

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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